{"id":33763,"date":"2025-01-27T16:05:26","date_gmt":"2025-01-27T19:05:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/?p=33763"},"modified":"2025-01-27T22:04:13","modified_gmt":"2025-01-28T01:04:13","slug":"quem-me-ensinou-a-benzer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/2025\/01\/27\/quem-me-ensinou-a-benzer\/","title":{"rendered":"QUEM ME ENSINOU A BENZER?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c\u00d4 marinheiro marinheiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(Marinheiro s\u00f3)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Quem te ensinou a navegar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(Marinheiro s\u00f3)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ou foi o tombo do navio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(Marinheiro s\u00f3)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ou foi o balan\u00e7o do mar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(Marinheiro s\u00f3)&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cresci entre barro, areia, \u00e1gua do mar, banho de cachoeira e plantas. Embora morasse numa cidade grande do interior, sem mar e sem rio, painho e mainha adoravam jardim. Toda casa que morei tinha planta. Algumas em jarros, mas a maior parte do tempo plantadas no ch\u00e3o. A gente tinha casa de praia e sempre ia. Aprendi a engatinhar na areia da Ilha de Itaparica. Minha fam\u00edlia por parte de pai era do rec\u00f4ncavo. E a gente sempre ia e passava por um a\u00e7ude pra tomar banho de rio. E na ilha tamb\u00e9m tinha um &#8220;Sonrisal&#8221; de \u00e1gua doce que a gente ia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As minhas primeiras li\u00e7\u00f5es como benzedeira veio desse contato \u00edntimo com a natureza desde sempre. Estaria mentindo se dissesse que a Mona crian\u00e7a ou adolescente era fascinada por tudo isso desde pequena. Apenas era o mundo que ela conhecia, portanto natural. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As outras li\u00e7\u00f5es vieram do contato com minhas av\u00f3s. Ambas noventen\u00e1rias e vivas. Tamb\u00e9m estaria mentindo se te dissesse que minhas av\u00f3s me ensinaram a benzer. De forma direta n\u00e3o. Mas quem sente uma conex\u00e3o, uma curiosidade com pessoas mais velhas desde cedo geralmente descobre alguma voca\u00e7\u00e3o espiritual no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conhecimento aqui veio principalmente das hist\u00f3rias. Vov\u00f3 Vav\u00e1 contava como era a ro\u00e7a quando ela era crian\u00e7a. Que ela amava sambar na festa de reis com seu pai que era pandeirista, mas que sua m\u00e3e passou a proibir, para que ela n\u00e3o ficasse &#8220;falada&#8221;. Vov\u00f3 Mundinha contava hist\u00f3rias fict\u00edcias. Aquelas li\u00e7\u00f5es que as crian\u00e7as precisam aprender atrav\u00e9s dos s\u00edmbolos e que apenas eles t\u00eam o poder de atingir as crian\u00e7as e prender a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando eu era crian\u00e7a, ela incensava a casa, usava ch\u00e1s, fazia oferendas para Iemanj\u00e1 e ia na missa. Uma vez num jogo de b\u00fazios falei desse h\u00e1bito de vov\u00f3 Mundinha, de incensar a casa. A m\u00e3e de santo criticou dizendo que isso era &#8220;coisa da igreja cat\u00f3lica&#8221;. At\u00e9 que descobri na verdade que esse era um h\u00e1bito muito mais antigo e que na verdade vinha do Egito. T\u00e3o negro quanto os Orix\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha v\u00f3 Vav\u00e1 n\u00e3o era muito chegada a essa coisa de ch\u00e1. Mas mainha sim. L\u00e1 em casa sempre tinha um chazinho da dor de cabe\u00e7a, dor no est\u00f4mago, c\u00f3lica&#8230; J\u00e1 painho adorava plantar as coisas no jardim, fazer horta e ver elas crescerem (ou se retar quando n\u00e3o dava muito certo \ud83d\ude00 ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha mem\u00f3ria de ser benzida a primeira vez foi no sert\u00e3o, onde viviam parentes de mainha. Eu tinha 12 anos. Estava com minhas primas e elas me levaram na casa de um benzedor. Acontece que chegando l\u00e1 ele mandou eu levantar a blusa pra me benzer. Eu n\u00e3o fazia ideia que isso era abuso. S\u00f3 anos depois que eu descobri. Fiquei morrendo de raiva e impot\u00eancia quando soube.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 18 anos comecei a estudar bruxaria. E dentro da bruxaria a \u00e1rea que mais me interessou foi o uso das plantas. Fiz vestibular pra farm\u00e1cia movida por esse fasc\u00ednio pelas plantas e seus poderes. Acontece que a maioria dos livros que eu encontrava, falava sobre plantas usadas na Europa. Era enlouquecedora a busca por uma erva para realizar um feiti\u00e7o. Num tempo sem a internet como conhecemos hoje, pense a\u00ed? N\u00e3o fazia o menor sentido!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a\u00ed que a espiritualidade me direcionou para pesquisar plantas que tivessem a ver com a minha hist\u00f3ria. Sert\u00e3o e rec\u00f4ncavo da Bahia. Na faculdade de farm\u00e1cia <a href=\"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/2024\/11\/12\/como-me-tornei-benzedeira\/\">como j\u00e1 disse em outro texto aqui do blog<\/a>, tive contato com as feiras, os terreiros de candombl\u00e9 e as erveiras ligadas ao Mosteiro de S\u00e3o Bento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois que me formei, os banhos de ervas, os defumadores e a visita a terreiros de candombl\u00e9 e umbanda j\u00e1 faziam parte do meu autocuidado espiritual. At\u00e9 que um dia eu vi um an\u00fancio de um curso sobre plantas m\u00e1gicas. Mas com abordagem baseada nas religi\u00f5es de matriz africana. Dentro desse curso a gente tinha um m\u00f3dulo onde ensinava a arte de benzer. Estaria mentindo se te dissesse que sa\u00ed de l\u00e1 segura para benzer quem quer que seja, mas me arrisquei a fazer algumas limpezas em pessoas pr\u00f3ximas e me surpreendi com os resultados. Embora ainda n\u00e3o me considerasse benzedeira.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/benzedeira-em-salvador-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33779 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/benzedeira-em-salvador-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/benzedeira-em-salvador-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/benzedeira-em-salvador-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/benzedeira-em-salvador-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/benzedeira-em-salvador-555x740.jpeg 555w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/benzedeira-em-salvador-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto durante a minha jornada acad\u00eamica quanto ap\u00f3s eu me desconectar da universidade, eu tive contato com muitos benzedores e benzedeiras. Com alguns eu s\u00f3 conversei, com outros eu &#8220;recebi um ax\u00e9&#8221; atrav\u00e9s do benzimento. Me lembro que um dos epis\u00f3dios da s\u00e9rie &#8220;Comida aqui \u00e9 Mato&#8221; eu conheci uma benzedeira no Quilombo Pitanga dos Palmares, aqui pertinho de Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa senhora me benzeu e a gente conversou muito. Se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria o nome dela era Rita. Nessa conversa eu comecei a me achar parecida com ela, eu comece a dar passagem para meu dom. Nesse tempo eu benzia s\u00f3 gente conhecida.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ela me deu muita inspira\u00e7\u00e3o e coragem pra levar isso adiante. Ent\u00e3o eu digo que al\u00e9m do contato com a natureza, com as minhas ancestrais, com diversos benzedores e benzedeiras, com as religi\u00f5es de matriz Afro, essa senhora foi uma das minhas principais mestras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas s\u00f3 recentemente eu comecei a benzer por of\u00edcio. Porque me faltava algo que considero fundamental na arte de benzer: encontrar seu pr\u00f3prio estilo. Eu por exemplo benzo praticamente calada. \u00c9 a minha forma de me conectar com Deus e receber as mensagens para passar aos clientes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo eu diria que quem me ensinou a benzer foi meu pr\u00f3prio caminhar na Terra. Acredito que j\u00e1 nasci benzedeira e que todos esses encontros serviram para o despertar do meu dom. Al\u00e9m da maturidade, claro. Os dons v\u00e3o se fundindo \u00e0 experi\u00eancia de vida. Hoje tenho 44 anos e muita coisa vivida. Embora n\u00e3o acredite que exista idade para come\u00e7ar, a experi\u00eancia me ajuda a ter um melhor entendimento das mais variadas quest\u00f5es que afligem a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para agendar um benzimento comigo envie um e-mail para contato@ewealquimias.com.br . Para me conhecer melhor, acesse meu perfil do Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/monasoars\/\">@monasoars <\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A foto que abre o texto foi tirada com a benzedeira que conheci no Quilombo Pitanga dos Palmares. Ela segura folhas de Pinh\u00e3o Roxo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33627 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-500x500.jpg 500w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-555x555.jpg 555w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria-160x160.jpg 160w, https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mona-Soares-perfumaria.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mona Soares \u00e9 graduada em farm\u00e1cia pela UFBA e especialista em manipula\u00e7\u00e3o cosm\u00e9tica pela ABEFARMA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estuda plantas medicinais, perfumaria m\u00e1gica, bruxaria, aromaterapia, cosm\u00e9ticos e afins desde 1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 benzedeira e mentora de alquimistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rios caminhos nos levam ao despertar dos nossos dons. Nesse texto eu  conto quem me ensinou a benzer.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33768,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[521,520,522],"class_list":["post-33763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-benzedeira","tag-benzer","tag-benzimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33763"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33763\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33788,"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33763\/revisions\/33788"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ewealquimias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}